Não há mais como fugir: professores unidos e conectados

Fonte: Incrível club

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Não há mais como fugir: professores unidos e conectados

Os tempos mudaram. Os alunos mudaram! A sala de aula mudou! Mas, e a educação?

Ninguém discorda que temos alunos conectados e o que podemos pensar é: por que isso impacta tanto a nossa sala de aula?

Ora, com o mundo globalizado e os alunos tendo acesso a todo e qualquer conteúdo é muito natural  que haja uma relação diferente com os conteúdos, com o tempo e com os outros.

Pensar isso, de uma certa forma tira um fardo enorme de nossas costas, não é verdade?

Mas ao mesmo tempo não nos deixa tranquilos e paralizados, pois sabemos que temos muito para aprender, sabemos portanto, que estamos sempre conectados e aprendendo.

Educação: aquilo que nos une

Procuramos aprender com os outros nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nos grupos fechados do facebook, nas apostilas antigas, nas bibliotecas, na sala dos professores, na Eduqa.me, nas prosas com os colegas de trabalho, como com os próprios alunos, com pais, com a direção, no google, no pinterest, no portal do professor… e por aí vai! Essa lista é infinita…

Vivemos consumindo conteúdo e buscando aperfeiçoamento na nossa ação reflexiva sobre ensinar. E que ótimo, pois ela está sempre ali acontecendo. É no gerúndio e continua. Nunca para!

E agora, mais do que nunca, conseguimos compreender o nosso papel enquanto professor.

A propósito, vocês sabem o que a palavra professor significa?

Professor” tem origem no Latim, vem de PROFESSUS que significa “pessoa que declara em público” ou “aquele que afirmou publicamente”. Esta palavra, por sua vez, é derivada do verbo PROFITARE. Este significa “afirmar/declarar publicamente” e é comporto de PRO, “à frente” e FATERI, “reconhecer”.

http://origemdapalavra.com.br/

E como manda a definição, precisamos estar sempre à frente desse mundo beta. Nos, professores, estamos entendendo que esse processo é cada vez mais orgânico. E cada vez mais empresas, startups e pessoas tentam oferecer soluções para auxiliar o professor nessa árdua tarefa de ficar ligadaço no mundo moderno.

Nós, da Eduqa.me, nascemos de uma necessidade de dentro da sala de aula e continuamos levantando para fora da sala de aula a bandeira  da inovação e de um ensino cada vez mais lógico e menos burocrático e, claro, divulgando e disseminando as ideias que valem a pena divulgar.

Dessa forma, especificamente nós, que fazemos a Eduqa.me, sabemos bem que para promover a aprendizagem significativa dos alunos, é fundamental desenvolver-se continuamente.

Fonte: canal tech

Usar e experimentar ferramentas, encarar novos desafios, se inscrever em cursos e navegar em cursos e conteúdos nunca antes vistos nos faz assumir o grande desafio de sermos melhores a cada dia, a cada aula.

E isso é olhar para a nossa própria historia, nossa própria trajetória profissional e encarar que falhamos e que acertamos e que, durante esse processo, aprendemos! E mais importante de tudo isso: nos ensinamos!

Por isso fica o meu convite para que você experimente a nossa ferramenta.

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Tenho certeza que eu, a Eduqa.me e você vamos trocar percepções valiosas. Afinal de contas estamos todos conectados na grande tarefa de Educar.

Gostou?

Então não deixa de acompanhar nossa página no facebook e compartilhar as matérias que você mais gostou.

Tenho certeza que temos muito a trocar.

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

6 Coisas que só quem é professor de Educação Infantil entende
Carreira/Registros
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6 Coisas que só quem é professor de Educação Infantil entende

A imagem que a maioria das pessoas tem dos professores de Educação Infantil, provavelmente é bem diferente da realidade.

Nem todo mundo é  a professora Helena. Nós, professores, também erramos, somos feitos de carne e osso e muitas vezes nos irritamos com o barulho ensurdecedor das dezenas de crianças gritando e falando ao mesmo tempo e da rotina estressante, daquela bagunça da sala de aula e também podemos não nos identificar o coordenador pedagógico ou diretor da escola.

Enfim, somos humanos, mas.. acima de tudo isso nos divertimos, muito, durante o trabalho e passamos semanas planejando uma atividade e dando amor, afeto e muitos abraços nos pequenos. Independente de dias bons ou ruins o importante é que NUNCA desistimos.

Somos todos iguais!

Mesmo com diferentes tipos de professoras e professores, idades e estilos há algumas coisas que nunca mudam e para mostrar que TODO professor de Educação Infantil é igual, separei uma listinha com situações que só quem tem uma sala de aula entende.

É impossível não se identificar!

 #1- A escola não termina quando toca o sino

Isso mesmo. Segundo pesquisa do Banco Mundial gastamos, praticamente, dois meses com tarefas administrativas.

#2- Domingo é dia útil

Ora, mas é claro.. como estamos em sala de segunda a sexta, o planejamento e o semanário sempre ficam para o Domingo.

Que tal aproveitar o seu domingo para curtir com sua família? Tenho uma dica incrível para você economizar tempo. Na Eduqa.me é possível fazer um planejamento de forma bem simples e fácil. Experimente a Eduqa.me para aperfeiçoar seu trabalho na Educação Infantil.

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#3-Férias duas vezes ao ano

E quando a gente acha que a sanidade mental está correndo risco… ufa! Férias \0/ Oxigenamos a nossa cabeça, relaxamos e curtimos a família.

#4- Vivemos gliterizados e purpurinados mesmo quando não é carnaval

Mais que gliter e pupurina…vivemos fantasiados de índio, bruxas, coelhinhos, vovós, mamães e até de árvore se for preciso. E que nunca nos falte cola, tesoura e cartolina.

#5- Amamos papelaria

Como não amar?! Essa paixão é antiga e vem desde o papel de cartas.

Quem lembra?

#6- Falamos pausadamente e cantarolando “O Feliiiiiipeeeeeee, eu  já falei com você…não pedi para sentar?”

Quem nunca? Parece que quando mudamos o tom de voz e fazemos a canção a criançada escuta. Será que é impressão minha?

Esses foram alguns dos itens que consegui me lembrar, mas há muitos outros sobre nossa classe, não é verdade?

Que tal compartilhar os seus?

Referências:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/06/professores-perdem-equivalente-2-meses-de-aulas-com-tarefas-administrativas.html

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 

 

 

FUNÇÕES EXECUTIVAS: O QUE SÃO? PARA QUE SERVEM?
Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Registros/Rotina pedagógica/Formação
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FUNÇÕES EXECUTIVAS: O QUE SÃO? PARA QUE SERVEM?

 

 

“Do jeito que a vida está
Eu não quero crescer
Tanta volta que a vida dá
Eu não quero crescer
(…)
Eu não quero estudar
Eu não quero me formar
Eu não quero trabalhar
Eu não quero ter que pagar
Eu não quero me decepcionar
Eu não quero entristecer
Eu não quero crescer”(Música “Eu não quero crescer”, de Pitty)

O trecho desta música da cantora Pitty, nos remete a uma realidade que faz parte da nossa formação humana: quanto mais crescemos ou nos tornamos independentes, mais a vida nos apresenta desafios, deveres e obrigações que demandam que tenhamos múltiplas habilidades e competências. Precisamos tomar decisões difíceis, saber controlar as emoções e impulsos, ter disciplina, flexibilidade, planejamento, ser criativos, administrar a rotina, dentre milhares de outras coisas.

 

 

 

Mas será que já paramos para pensar em quais são as funções cerebrais necessárias para que possamos dar conta de todas essas necessidades? Indo além, será que é possível preparar o nosso cérebro para atender bem a esses tipos de demandas?

Muitos não sabem, mas existem sim funções cerebrais específicas para nos auxiliar no gerenciamento das nossas atividades e comportamentos com autonomia. Estas funções são chamadas de Executivas (F.E).

 O que são funções executivas e qual a importância da primeira infância no seu desenvolvimento?

As Funções Executivas são um conjunto de processos cerebrais responsáveis pelo controle, monitoramento e regulação das nossas ações, pensamentos e emoções. Com estas funções nós conseguimos disciplinar o nosso comportamento para atingir metas; flexibilizar formas de pensar; autorregular­nos, controlando os nossos impulsos e adequando as nossas ações às regras sociais; tomar decisões baseadas nos objetivos pretendidos; realizar planos e solucionar problemas, tudo isso, ao mesmo tempo em que nos automonitoramos para verificar a eficácia do que estamos fazendo.

Muita coisa, não? Isso acontece porque as Funções Executivas abrangem um agrupamento de regiões cerebrais que envolvem diferentes domínios cognitivos.

Mas, afinal, qual o papel da primeira infância no desenvolvimento das funções executivas?

A primeira infância (período que vai da gestação até os 5/6 anos de idade) constitui a fase do desenvolvimento onde é formada a base cerebral que dará sustentação a todas as nossas funções cognitivas e isso inclui as FE. Para que desenvolvamos bem estas funções, cujas habilidades foram descritas no inicio do texto, é preciso que em sua base ela receba estimulação adequada.

A maioria dos teóricos explicam que são diversos os domínios que fazem parte das Funções Executivas e que elas se desenvolvem ao longo da nossa vida, até o início da fase adulta.

3 importantes aspectos que já estão presentes, mesmo que de maneira mais rudimentar, na primeira infância.  

Fonte: Bloga8

 

  1. Inibição do comportamento: Basicamente é a capacidade de pensar antes de agir, ou seja, resistir à urgência de dizer ou fazer alguma coisa avaliando a situação e o impacto que o nosso comportamento causará. Como por exemplo, sentir vontade de bater em alguèm, mas conseguir frear essa reação por ser inapropriada; resisitr a tentação de roubar o doce do colega, dentre outros. 
  2. Memória operacional: é a habilidade de manter uma informação em mente pelo tempo suficiente de utilizá-la na solução de algum problema, ou para fazer relações de idéias. Isso envolve, por exemplo, reter as informações-chave necessárias para a solução de um problema reter fonemas e palavras da fala até que eles possam ser recuperados na ordem correta ou ser integrados em ideias significativas; conseguir integrar informações novas a um conhecimento anterior, dentre outros. A memória operacional é necessária tanto para nossa compreensão de problemas e criação de resoluções como para a compreensão e produção da linguagem. Na infância, principalmente, diversos estudos têm correlacionado a capacidade de memória operacional com desempenho acadêmico. 
  3. Flexibilidade cognitiva: habilidade de mudar o foco atencional, o ponto de vista, as prioridades ou as regras para adaptar-se às demandas do contexto. Por exemplo: se adaptar bem à mudanças de rotina ou de planos; inventar ou aceitar bem formas alternativas de resolver um problema (sem aquele pensamento de que “só vale se for do meu jeito”); não ter dificuldade em substituir uma informação ultrapassada por uma atual, etc.

Crianças pequenas podem ainda não ter muitas das habilidades citadas desenvolvidas,  mas isso não significa que elas não possam ser estimuladas desde já, prevenindo possíveis dificuldades em sua aquisição. Inúmeros estudos mostram que crianças que receberam estimulação adequada para o desenvolvimento dessas habilidades tornaram-se jovens e adultos com melhor saúde mental, comportamento, sociabilidade e desempenho acadêmico e profissional.

Existem diversas atividades que ajudam a estimular as Funções Executivas da criança e elas podem ser usadas tanto em contexto escolar quanto no dia a dia dentro de casa. Continue acompanhando os nossos posts para se informar mais sobre isso!

Você pode ler também sobre O DESENVOLVIMENTO MOTOR NA PRIMEIRA INFÂNCIA: O QUE É PRECISO SABER.

E para usar todo esse conhecimento em prol da Educação acesse a Eduqa.me e faça registros diferentes e digitais. Veja as turmas, os alunos e qual área do conhecimento está estimulando mais. Use os filtros para extrair a informação que precisa, na hora que precisar.

Como mostra o exemplo abaixo:

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Tatiana Góes Freitas, Psicóloga, Neuropsicóloga, colaboradora do Projeto Pela Primeira Infância e no Centro de Atenção Psicossocial da UNIFESP.

Texto elaborado a partir do material produzido pelo Projeto Pela Primeira Infância. Clique e conheça mais sobre o Projeto Pela Primeira Infância– Programa de Formação em Desenvolvimento Cognitivo Infantil com base nas Neurociências, para profissionais da Educação Infantil.

Ser professor: uma beleza que não se mede, que não se descreve
Carreira/Formação/Rotina pedagógica
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Ser professor: uma beleza que não se mede, que não se descreve

Ser professor: uma beleza que não se mede, que não se descreve!

professor pensativo

Muitos dizem que ser professor não é uma profissão como qualquer outra, mas sim, uma vocação. Há quem concorde e quem discorde disso, mas o que vale é entender que ser professor, não é para qualquer pessoa.

Há uma beleza que não se mede, que não se descreve! Ser professor é inovar todos os dias a profissão, seja por vocação ou não, com uma nova visão.

Inovar a profissão é o grande desafio na arte de ensinar, por isso, o que se deve é encantar e enfeitiçar, para que os alunos tenham desejo em conhecer e prazer partilhar, o que sabem e o que não sabem neste longo caminho que a vida há de lhes dar.

O professor é a “Chave”, como nos diz Oldney Lopes em seu poema:

Se os livros alimentam o saber

O mestre proporciona-lhes sabor

Se são enigmas a resolver

O educador é o codificador.

Que seria do livro e do leitor

Sem orientador a despertar

Idéias e sentidos, corpo e cor,

Na relevante ação de mediar?

Se há na escola uma qualquer contenda

O docente é o reconciliador

Se há conflito que obstrua a senda

O mestre mostra-se apaziguador.

Que seria de uma escola sem docentes?

Salas vazias e paredes nuas

Prédio deserto, árido e silente

Portal do nada, a esmaecer nas ruas.

É que a jornada, sem apoio e guia

É trilha escura, sem norte e sem destino,

Pois falta o rumo da sabedoria,

Facho de luz, clarão para o ensino.

Sendo os alunos pássaros que tentam

Os seus primeiros vôos do saber

É pelas mãos dos mestres que alimentam

A fome insaciável de aprender.

Se, entretanto, as agruras são gaiolas

Que encarceram o aluno em estupor,

A porta que liberta é a escola

E a chave que a destranca é o professor!

professora feliz

A sociedade tem enfrentado grandes mudanças e juntamente com ela a educação, que não se consegue dissociar. Isso implica que  o professor acompanhe esta mudança e traga este encantamento do poema para a sala de aula.

É necessário resgatar e valorizar o professor que você é, já que isso, enquanto profissional, fará a diferença na construção de uma sociedade melhor, de um mundo melhor. Independente da profissão que o seu aluno escolher ele sempre terá um professor. Se acessarmos as nossas memórias de infância, lá estará o professor, por isso, é inegável e indiscutível a relevância deste papel para os alunos e para a vida.

Melhorar o que se faz deve ser uma preocupação eterna, que se reflete no sinónimo de desenvolvimento profissional e pessoal dos professores e tem como objetivo, consequentemente, a melhoria da qualidade do ensino.

A chave sempre será o professor, nunca se esqueça disso!

Registre!

Na Eduqa.me você consegue fazer planos da rotina da semana, registro de atividades, perfil das crianças, relatórios e compartilhamento com a família.

Tudo em um único lugar! Tire fotos do material produzido ou, ainda, filme. Isso enriquecerá o portfólio delas e será uma ferramenta útil para a avaliação!

 

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

Os primeiros ensinantes
Carreira/Formação
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Os primeiros ensinantes

Neste mês de outubro temos como inspiração o professor; sujeito de grande admiração, respeito e que merece todos os investimentos para que possa desempenhar cada vez melhor o seu papel de ensinar.

E é justamente sobre este papel de quem ensina, que refletiremos neste texto.

waldorf-1080x580Você já ouviu falar na palavra ensinante? E aprendente?

Ensinante e aprendente não são equivalentes a aluno e professor, mas sim, podemos pensá-los como lugares subjetivos de situar-se frente ao conhecimento.

Estes conceitos são utilizados pela Psicopedagogia e nos trazem conhecimentos importantes sobre os papéis ocupados por quem ensina e quem aprende.

As relações entre ensinante e aprendente iniciam-se logo que a criança nasce. A mãe ao ensinar o seu filho a se alimentar, pode assumir o lugar de ensinante, já que não está em causa ali, apenas o ato de comer ou aprender a comer, mas o estar junto e viver a construção desta nova aprendizagem com o seu filho.

Não vamos substituir os pais e os professores por ensinantes, já que não são sinônimos. Nem toda mãe e nem todo professor consegue ser ou estar no papel de ensinante.

Entretanto, chamamos a atenção aqui, para que os professores possam perceber o quanto faz diferença na vida do aluno e na sua própria vida profissional, ser um professor ensinante.

Depois dos pais, o professor é a primeira figura significativa na vida da criança. É através dele que os pequeninos irão refletir sobre valores, crenças, além de mergulharem num novo universo de aprendizagem; por isso, os primeiros ensinantes são os mais importantes para o desenvolvimento da criança.

Para aprender, o sujeito precisa recorrer a duas questões:

– Conectar-se ao que ele já conhece.

– Autorizar-se a “mostrar”, a fazer visível aquilo que conhece (FERNÁNDEZ, 2001).

prof

Quando o professor ocupa o lugar de ensinante, ele proporciona um espaço saudável de aprendizagem, pois consegue estar na posição de aprender dos alunos, mesmo quando considera o que eles já sabem. O professor abre um espaço subjetivo para que as crianças possam mostrar o que conhecem sem juízo de valor ou críticas destrutivas.

A partir disso, é possível pensarmos em como podemos estruturar as nossas aulas. Uma aula que começa por ouvir o que os alunos sabem sobre um determinado assunto ao invés daquela onde o professor é o orador, o detentor do conhecimento que apresenta um assunto, desta forma não há espaço para ensinantes.

Nota-se que o mais importante não é o conhecimento que o aluno vai adquirir para si mesmo, mas a capacidade de transformá-lo nele e naquele que o circundam, a construção do sujeito autor (FERNÁNDEZ, 2001).

Aprender pode ser tão lindo quanto o brincar, alegre e saudável. O professor ao ser ensinante precisa estar junto e construir caminhos de aprendizagem com o seu aluno que também se constituirá como aprendente.

O que não se pode mais é ser um professor expectador que ora assiste aos seus alunos aprenderem ora é o único protagonista deste cenário.

Ser ensinante é ultrapassar a ideia de transmitir conhecimentos, pois não se trata de acumular informações. Muito mais importante que os conteúdos pensados é o “espaço” que o professor vai possibilitar para que o aluno possa “fazer-se pensável” sobre um assunto. É dar voz aos significados pessoais, vinculares, éticos e políticos, tanto de quem escuta como de quem é escutado (FERNÁNDEZ, 2001).

O dom do ensinante, que reflete a paixão e o desejo de ensinar, faz um movimento de separação e permite que, na relação com o aprendente apareça o “entre”. Isto é, um olhar e um espaço de escuta. saudável, de um lado, com a renúncia inconsciente do desejo do ensinante, da posição de “suposto saber”. Por outro lado, o aprendente ganha a chance de se reconhecer “autor” de seus próprios pensamentos (AXELRUD, 2001).

O que acha deste desafio professor? Boa reflexão!

Indicação de leitura:

FERNANDÉZ, Alicia. O saber em jogo: a psicopedagogia possibilitando autorias de pensamento. Porto Alegre: Editora ARTMED, 2001.

AXELRUD, Fany M. APRENDENTES E ENSINANTES – UMA QUESTÃO DE DIÁLOGO. COBENGE, 2001. Disponível em: http://www.abenge.org.br/CobengeAnteriores/2001/trabalhos/APP041.pdf

Registre as evidências e falas relevantes em sala. Perceba em que momento a criança se sente incapaz e a incentive. Essas anotações serão muito valiosas para o refletir sobre os avanços dos pequenos.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Por que escolhi ser professor?
Carreira/Formação/Registros
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Por que escolhi ser professor?

Você já se perguntou o que é ser professor?

Muitas vezes, se escuta que ser professor é gostar de criança, é ter paciência, saber desenhar, ter letra bonita, gostar de ler e estudar.

Mas será que isso é suficiente?

NÃO! Ser professor ultrapassa as barreiras do ter ou gostar, é preciso diferentes construções internas; é preciso “SER”.

Os valores, os desejos, a esperança, os anseios, as motivações, a persistência, o respeito, o saber, a honestidade, a perseverança e o comprometimento com o ensinar é que farão a diferença no ato de ser e se constituir professor, e essas habilidades são aprendidas nas complexas relações com o ensino aprendizagem, ou seja, entre o professor e o aluno.

A complexidade em ser professor começa com o processo de escolha da profissão. Muitas pessoas, quando decidem lecionar, não levam em conta o que é ser professor, baseiam-se em preceitos superficiais, como gostar de criança, por exemplo.

Isso é importante, mas não basta! Um professor precisa estudar muito e durante toda a sua carreira, deve se envolver com questões sociais e políticas do país e, mais do que isso, ser um especialista em relações humanas!

A escolha da profissão é uma decisão tomada pelo professor; imagina-se que ninguém o obrigou a fazer isso. Sempre foram de conhecimento público as dificuldades com o educar de modo geral. Então, por que esta escolha?

Responda isso você! Reflita sobre o seu real papel no ato de ensinar, pois ele vai além dos conteúdos programáticos.

professor

É necessário situar o professor naquilo que transcende a sua formação, pois “aprendemos disciplinas sobre que conhecimento da natureza e da sociedade ensinar e com que metodologias, porém não entra nos currículos de formação como ensinar-aprender a sermos humanos” (ARROYO, 2000, p.55), principalmente numa época onde o desrespeito, o bullying e o preconceito se sobressaem tanto.

O professor desempenha um papel tão importante na vida dos alunos, que é incalculável o seu valor. Não importa o quão avançada esteja a tecnologia, o professor nunca será substituído, “já que mais importante do que o conteúdo ensinado é o modo relacional que se vai imprimindo na subjetividade do aprendente”. (FERNÁNDEZ, 2001, p.29).

Ser professor vai muito mais além do que se imaginava, não é?

Reflita sempre sobre a sua escolha.

Sugestão de Leitura: Livro – A aula da xícara: uma experiência sobre a relação professor-aluno. Luciana Fernandes Duque. Lura Editorial: São Paulo, 2015.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?
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Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?

que tipo de educação

Esta pergunta é intrigante e pode suscitar a priori duas interpretações: pensar nos métodos e estratégias que vou oferecer aos meus alunos para educa-los de forma que aprendam os conteúdos formais, ou, ir além disso e pensar também em que tipo de pessoas quero formar.

Quando imaginamos uma sala de aula, muitos cenários vêm à tona, principalmente a diversidade que a compõe.

Para muitos, a palavra diversidade parece estar ligada a algo que é visível no outro, ora por aquilo que falta ora pelo que sobra em alguém, mas, neste texto, vamos falar de um assunto que nem sempre é tão explícito pelo que falta ou pelo que sobra, mas pelo que as vezes passa desapercebido pelos olhos do professor.

Vamos falar da inclusão socioeconômica e do contraste social encontrado nas escolas.

Por mais que saibamos que esta realidade existe, quando as diferenças não estão estampadas de forma evidente no rosto das pessoas, parece que elas são ignoradas. Está é uma falsa ilusão e a falsa ideia da homogeneidade que muitos professores ainda insistem em defender.

Somos todos diferentes e únicos, isto por si só derrota a ideia de homogeneidade humana. Aprendemos de formas diferentes, pensamos e gostamos de coisas diferentes e temos também condições socioeconômicas muito distintas.

Estas condições econômicas, em alguns casos, definem e implicam diretamente nos objetivos e propósitos pelos quais a criança frequenta uma escola.

Sabemos que muitas crianças precisam comer, por isso vão a escola; outras ainda quando muito pequeninas, frequentam a escola, pois os pais necessitam trabalhar; e há também aquelas que vão a determinadas escolas para sustentar certos “status” dos grupos sociais do qual os pais fazem parte. Mas há também pais que escolheram as escolas devido aos métodos pedagógicos e pela filosofia do trabalho educacional que oferecem.

Independente do que seja, se desconhecermos os motivos pelo qual cada aluno frequenta a escola, teremos problemas na relação direta com eles e principalmente com suas famílias. Alguns comportamentos dos pais, por mais que sejam estranhos, passam a ser “melhor compreendidos”, uma vez que se conhece os interesses das famílias. Com isso, não quero dizer que a escola deve assumir o papel dos pais, muito pelo contrário, deve partilhar com a família a responsabilidade de educar, mas perceber os limites que envolvem estas relações entre família-escola.

escola

Por conta das desigualdades sociais existentes, há um consenso entre as pessoas ao achar que nas escolas públicas estão os alunos menos favorecidos e nas escolas particulares estão os mais favorecidos financeiramente.

No caso do Brasil, isso tem uma certa verdade pela forma cultural e econômica em que o ensino está organizado, mas na Europa por exemplo, não é bem assim que funciona; as escolas públicas europeias têm grande prestígio e muitas famílias privilegiadas economicamente optam por matricularem os seus filhos nestas instituições.

É bastante curioso e interessante observar esta diversidade socioeconômica dentro de um único espaço. A mãe empregada de mesa e um pai empresário debatendo, nas reuniões de pais, melhorias para a escola dos seus filhos. Existem problemas causados pelas condições econômicas? Sim, como em todo lugar, mas como o objetivo é zelar pela educação de qualidade para os filhos, essas diferenças não são soam como  problema, não nesse cenário.

O preconceito é algo ensinado pelo adulto. As crianças são ensinadas a selecionar seus amigos pela ótica do adulto.

As escolas particulares no Brasil, nem sempre ilustram este cenário separatista que está na mentalidade das pessoas. Muitos pais fazem grandes sacrifícios para dar o melhor para os filhos; e para eles, o melhor, é uma educação de qualidade que supostamente acham que vão encontrar nas escolas particulares.

Digo supostamente, pois classificar se uma escola é boa ou ruim devido ela ser pública ou privada é mais um erro. Há boas escolas públicas e há boas escolas particulares, assim como também há más escolas independente de serem públicas ou particulares.

Isto parece ser óbvio e até redundante, mas você já parou para se perguntar o que é uma boa escola? ou o que faz de uma escola ser boa ou não?

Podemos construir um ótimo livro só com as respostas para estas perguntas, mas a reflexão que se quer aqui vai mais além do que a escola deve ter ou fazer para ser boa, mas sim da sua essência. Por isso, o título deste texto começou por questionar: que tipo de educação você quer dar para as crianças, professor?

Podemos brincar com esta pergunta e criar tantas outras… que tipo de cidadão você quer formar? que tipo de pessoa você quer ajudar a constituir? Não se tem aqui a pretensão de dar respostas, mas pensar em alguns caminhos a partir da diversidade socioeconômica encontrada nas escolas.

Esta diversidade aumenta o desafio do professor em sala de aula, pois os conteúdos não podem ser mais a preocupação exclusiva; valores como respeito ao outro e às diferenças passam a ser tão importantes quanto o aprender formal, aliás, estes são aspectos que propiciam uma melhor interação, comunicação e por fim um melhor aprendizado.

Infelizmente, ouve-se nos corredores das escolas crianças discutindo: “meu pai tem dois helicópteros e o seu não tem nenhum”; “você é pobre, por que estuda nesta escola?”. Estas atitudes incentivam e aumentam a prática do bullying e de outros maus comportamentos que não colaboram com a construção de uma boa escola e também da aprendizagem das crianças.

escola alto nível

As desigualdades sociais encontram-se em níveis variados dentro das escolas, por exemplo: a criança rica e a muito rica, a criança pobre e a extremamente pobre, e outros espaços onde se tem um pouco de tudo. Não é somente pensar nos extremos, mas nestas variações dentro de cada classe social. Estes problemas trazidos pelas dificuldades em lidar com a diversidade socioeconômica dá a oportunidade ao professor de falar e ajudar as crianças na construção da sua identidade e autonomia.

Trazer para dentro da classe as diferenças existentes entre os alunos e potencializa-las para o conhecimento é uma boa estratégia. Uma criança que vende doces no farol, tem com certeza, muita experiência com a matemática e isso pode ser levado para a sala de aula, para a criança ressignificar e protagonizar a sua aprendizagem.

escola brasileiraDesta mesma forma, a criança dos helicópteros tem uma vivência a ser partilhada que vai além do ter mais ou menos um bem material, e isso, com criatividade, pode virar uma rica experiência para todos.

Cada vez mais, as crianças mostram dificuldades em superar o seu egocentrismo inicial, pois são ensinadas a serem egoístas, quando desprezam e julgam uma condição social diferente da sua.

A escola é o espaço mais rico para que estas realidades se cruzem e coloquem a criança numa posição de conflito frente aos seus valores, conhecimentos e personalidade, que a priori é constituída pela família. Isso é saudável para o seu desenvolvimento psíquico, mas se não for bem assistida pode ser um risco para as relações sociais e para o desenvolvimento pessoal das próprias crianças.

A escola precisa se importar com as diferenças sociais e entender que este problema também é seu. A escola representa a população e se julgamos que a sociedade está ruim é porque de alguma forma a escola contribui com isso, quando finge, por exemplo, que não é um problema seu, as crianças se desrespeitarem.

O que quero dizer com isso é que o aluno que está em nossas classes hoje, poderá ser o médico que cuidará de nós amanhã, ou o professor que dará aulas para o nosso filho no futuro, enfim, está em nossas mãos transformar os problemas da desigualdade em oportunidades de construir uma sociedade melhor.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

O que eu fiz por mim nestas férias?

professoras

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O que eu fiz por mim nestas férias?

As férias são sempre um bom momento para relaxar, refletir e para renovar os sonhos e os desejos. Literalmente tirar férias significa parar; sair da rotina, do ciclo que nos faz ficar exclusivamente focados no que acontece ao nosso redor.

Como foram suas férias? 

O professor é muito tendenciosos a focar nos outros, ou seja, ele está sempre tão preocupado com os alunos, os pais, os coordenadores, os diretores e as outras tarefas do cotidiano escolar que acaba por distanciar de si mesmo.

Isso, sem falar naqueles professor que são pais ou principalmente mães, aí é que podemos dizer que ele perde aos poucos o contato com o seu eu interior e vai desligando-se de si mesmo cada vez mais.

Isso parece um exagero, não é? Mas a rotina é tão sorrateira e silenciosa, que quando nos damos conta, passaram-se anos e não fizemos nada por nós mesmos.

Os alunos evoluem, os filhos crescem, o tempo passa e às vezes a frustração vem a tona e o sentimento de ingratidão também. Ingratidão a quem? Aos alunos que se formaram? Aos filhos que cresceram? Ou a nós mesmos, que deixamos escapar a vida?

Para que isso não aconteça ou para que você possa mudar este cenário, comece já a pensar em você! Pensar em si mesmo não é ser egoísta, mas se amar para amar o outro, conhecer-se para conhecer o outro, saber do seu melhor, para dar o melhor para o outro.

Por isso, pare e pense o quanto é importante ajudar os outros, mas sem esquecer-se do principal, que é VOCÊ!!!

O que você fez por você?

Faça uma autorreflexão, exercite a observação e contemple a si mesmo. Mexa o corpo, a mente, a alma, faça o que mais gosta ou não faça nada, mas seja você! Decida, escolha, fale, não cale, seja você!

Renove as energias e as esperanças e nunca se esqueça que o melhor investimento que podemos fazer na vida além de amar o outro é amar a nós mesmos!

Fica aqui a indicação do belíssimo poema de Fernando Pessoa sobre a “Liberdade”. Liberte-se hoje mesmo.

O que você fez por você nessas férias?! Deixa a sua criança interior se libertar ; )

 

Liberdade

Ai que prazer 

Não cumprir um dever, 

Ter um livro para ler 

E não fazer! 

Ler é maçada, 

Estudar é nada. 

Sol doira 

Sem literatura 

O rio corre, bem ou mal, 

Sem edição original. 

E a brisa, essa, 

De tão naturalmente matinal, 

Como o tempo não tem pressa… 

Livros são papéis pintados com tinta. 

Estudar é uma coisa em que está indistinta 

A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 

Esperar por D.Sebastião, 

Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças… 

Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 

Só quando, em vez de criar, seca. 

Mais que isto 

É Jesus Cristo, 

Que não sabia nada de finanças 

Nem consta que tivesse biblioteca… 

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

O coordenador virou o faz-tudo da escola?

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

Carreira/Formação/Registros/Rotina pedagógica
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O coordenador virou o faz-tudo da escola?

“Existem dois tipos de coordenador: o maestro, que conduz e forma os professores, ou o bombeiro, que passa o dia correndo e apagando incêndios”. Ouvi a frase há algumas semanas durante uma aula da pós-graduação, justamente em um módulo sobre o papel da coordenação na nova configuração da escola. Surpresa: mesmo entre educadores, não houve consenso.

A maioria dos coordenadores são antigos professores que se destacaram em sala de aula e foram convidados a ocupar o cargo – sem que, contudo, recebessem uma formação específica para essa nova tarefa. Cursos de pedagogia abordam muito superficialmente as atribuições desse profissional, portanto, cabe a ele ir atrás de cursos, livros, debates e informação para melhorar sua prática. Afinal, por mais que a experiência em sala seja importante para compreender a rotina da equipe que se quer orientar, há outras competências que se fazem necessárias: a liderança, por exemplo, assim como a gestão de tempo e de pessoas.

Outro percalço é o fato de que, mesmo dentro das escolas, as funções do coordenador ainda se confundem. Quando há a figura de um orientador pedagógico, é possível dividir esforços: o coordenador é encarregado de tudo o que concerne o aprendizado das crianças, o pedagógico, mas cabe ao orientador lidar com relacionamentos familiares e questões socioemocionais dos estudantes. Infelizmente, em um grande número de escolas, um único profissional acumula os dois trabalhos (além de vários outros desafios diários que não estavam nos seus planos).

Então, o que NÃO É função do coordenador?

  • Ser o inspetor – supervisionar a entrada e saída das crianças diariamente ou garantir o uso do uniforme escolar não são tarefas do coordenador pedagógico (ainda que 72% dos coordenadores entrevistados pela Fundação Victor Civita para a pesquisa ‘O Coordenador Pedagógico e a Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições’ as façam). Verificar se as salas de aula estão limpas e organizadas tampouco deveria estar na sua lista de afazeres (são 55% os que o fazem), nem cuidar da quantidade de material didático ou estado de conservação da escola (35%). No caso da supervisão dos alunos, o mais indicado seria designar outro profissional qualificado para o trabalho. Já se preocupar com a infra-estrutura e recursos da escola cabe ao diretor e ao vice.
  • Tarefas administrativas – organizar tabelas de horários, preencher ou conferir listas de chamadas, arquivar documentos, escrever atas são parte do dia a dia de 22% dos coordenadores, apesar de pertencerem aos deveres da secretaria. Caso a papelada esteja saindo do controle, é hora de pensar sobre os sistemas utilizados pela escola: a que serve tanta burocracia? Há formas de minimizar esses processos e, assim, economizar tempo? Além da Eduqa.me, com foco em documentação pedagógica, outros sites e ferramentas podem tornar essa missão mais fácil.
A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

  • Substituir professores em sala – idealmente, a escola possui uma lista de professores substitutos que estejam aptos a assumir em caso de imprevistos. Um banco de atividades também pode (e deve) ser criado em parceria com os docentes, para que as substituições sejam rápidas e não prejudiquem a turma. Ainda assim, 19% dos coordenadores entrevistados responderam que substituem colegas faltosos uma ou mais vezes por semana.
  • Eventos e parcerias – 18% dos profissionais disse acreditar ser papel do coordenador se envolver ativamente em festas juninas, apresentações das crianças ou gincanas que acontecem na escola. Na verdade, a responsabilidade da coordenação aqui é orientar, não executar. Ou seja: não é preciso virar noites recortando e colando cartazes, mas sim organizar a equipe e distribuir tarefas. Quando excursões escolares estão programadas, os professores responsáveis pelo passeio podem trabalhar em parceria com a secretaria para agendar datas e enviar comunicados aos pais.

E o que É, MESMO, responsabilidade do coordenador?

Um profissional na coordenação precisa assumir três papéis:

  • Formar – identificar as necessidades de formação dos professores de acordo com o currículo da escola e a realidade dos alunos. A partir disso, dar as condições necessárias e orientar os professores para que eles se aprofundem em suas respectivas áreas de conhecimento. Ou seja: um bom coordenador não precisa ser um grande entendedor de química, física ou língua inglesa, por exemplo, para formar os professores dessas disciplinas; mas deve, sim, ser capaz de contribuir quanto às didáticas, estratégias e metodologias empregadas em sala.
  • Articular – promover diálogos entre professores e, em conjunto, colocar em prática o projeto pedagógico e relacionar o currículo da escola com a realidade da comunidade em que está inserida. Aqui, é essencial desenvolver a escuta e possibilitar o trabalho em equipe, inclusive na orientação de projetos interdisciplinares. Garantir o bom entrosamento do grupo e estimular a união são igualmente relevantes: é preciso dedicar-se aos relacionamentos diretor-coordenador, coordenador-professor, professor-professor.
  • Transformar – questionar, provocar, promover a reflexão. Ao invés de tentar colocar tudo sob suas asas, um bom coordenador deve ajudar os professores a pensarem questões de suas salas de aulas mais a fundo, desenvolvendo um olhar crítico e sendo capazes de resolver problemas por conta própria. Esse exercício não só gera uma equipe mais preparada e segura como permite que o coordenador tenha mais tempo para destinar a outras tarefas que não “apagar incêndios”.
Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

É claro que não existe uma receita de bolo que, seguida passo a passo, tenha garantia de sucesso. Um modelo de coordenação bem sucedido em uma escola não necessariamente atenderá às demandas de outra. Com isso em mente, sempre é preciso levar em conta o repertório de experiências, cultura e informação dos professores, suas formas de comunicação e suas limitações.

Sendo assim, estas são, de fato, algumas das tarefas que pertencem ao coordenador:

  • Conhecer as práticas pedagógicas de cada professor – assistir às aulas dos colegas deve ser uma atividade bem planejada e intencional: o que se busca observar? Se o coordenador traz somente críticas, ele está perdendo seu papel de formador. Pelo contrário, ele deve usar esse momento para conhecer melhor o professor e descobrir como orientá-lo, sem forçar suas próprias opiniões sobre como conduzir a classe.
  • Planejar e conduzir reuniões pedagógicas coletivas, por área e série e individuais – é preciso planejar com antecedência para que cada um desses encontros seja significativo e produtivo. Há questões que exigem a presença de todos os docentes; outras, seriam melhor trabalhadas dentro de determinada série ou área de conhecimento. Existe também a necessidade de se prestar atendimento individual a cada professor; nesse momento, são compartilhados feedback (após acompanhar seu trabalho em sala de aula), estratégias de ensino e reflexões sobre a turma.
  • Acompanhar o desempenho da escola em avaliações internas e externas – o aprendizado das crianças é responsabilidade do coordenador, portanto, é preciso estar atento ao desenvolvimento da classe como um todo e atento a sinais de dificuldade. Conhecer a classificação da escola em índices nacionais, como o Ideb ou a Provinha Brasil, também é essencial. Através dessas informações, o profissional pode identificar falhas, sucessos e reorientar a equipe.
  • Estudar muito – uma parcela do tempo do coordenador precisa estar reservada para sua atualização. O que está acontecendo no universo da educação? Quais boas práticas receberam destaque, quais tecnologias surgiram e podem facilitar seu trabalho, quais autores e pesquisadores vão de encontro à proposta da sua escola e irão contribuir com sua formação? Valorizar a atualização profissional é benéfico de todas as formas, afinal, estabelece também um exemplo dentro da escola, em que toda a equipe se sente estimulada a aprender.

Gaste seu tempo com o que realmente importa - horizontal

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Gestão Escolar (2)

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Revista Educação

Professor, qual a diferença entre “ver” e “olhar”?

Estudar e conhecer metodologias não faz um professor. Empatia é fundamental (foto: The Pixel Project)

Registros/Rotina pedagógica
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Professor, qual a diferença entre “ver” e “olhar”?

Fevereiro é um mês de recomeços dentro da escola. Para o professor, além do planejamento das aulas, esse também é o momento ideal para revisar e refletir sobre as práticas do ano anterior – e o que se pretende mudar no próximo período letivo. 

A psicopedagoga Luciana Fernandes Duque, que colabora mensalmente com o Na Escola, inaugura 2016 com um texto sobre a diferença entre o “ver” e o “olhar”. Qual dos dois você exercita ao observar sua classe? Sua resposta faz toda a diferença: Afinal, um olhar atento e empático pode contribuir profundamente para o desenvolvimento das crianças e com sua realização profissional.

Em meio à rotina corrida, o professor consegue olhar para cada aluno individualmente? (foto: Framepool)

Em meio à rotina corrida, o professor consegue olhar para cada aluno individualmente? (foto: Framepool)

Meu primeiro texto do ano propõe o pensar sobre o “ver” e o “olhar”. A princípio, as pessoas acreditam que essas palavras sejam sinônimas, mas, ao nos aproximarmos do que cada uma delas nos diz, as diferenças são notáveis.

É interessante pensar que o “ver” e o “olhar” se completam, já que, para olhar, antes, é preciso ver. Contudo, há pessoas que, por exemplo, “veem com as mãos” ou “olham com o coração” – o que é justamente sobre o que se trata essa reflexão: Encontrar uma forma diferente de olhar.

Ver está ligado às habilidades fisiológicas da visão.

Olhar está ligado às habilidades sensitivas, afetivas e sociais.

O ver é rápido, ágil, desatento. Já o olhar é devagar, profundo, reflexivo e até empático.

Quantas vezes em nosso cotidiano olhamos para os nossos alunos, suas famílias e, principalmente, para nós mesmos? Se estamos sempre com pressa, atrasados, atarefados, acabamos tendo pouco tempo para essa pausa. Resumindo: Vemos muita coisa, mas olhamos para poucas.

É preciso despertar para o que realmente importa. Claro, há uma série de âmbitos importantes na sua vida, e nem todos dizem respeito à sala de aula: Família, saúde, amizades, valores. Nesse texto, porém, o foco é o próprio professor.

Estudar e conhecer metodologias não faz um professor. Empatia é fundamental (foto: The Pixel Project)

Estudar e conhecer metodologias não faz um professor. Empatia é fundamental (foto: The Pixel Project)

Não basta cumprir uma lista de pré-requisitos: Gostar de crianças, ter paciência, ler e estudar muito. Ser professor ultrapassa as barreiras do ter ou do gostar. São necessárias diferentes construções internas, é preciso ser. Muitas pessoas, quando escolhem a profissão de docente, não levam em conta o que é ser professor, baseando-se apenas em preceitos superficiais, mas deixando de analisar a complexidade do papel de educar.

Ser professor está, além de em realizar as tarefas que já conhecemos, em ser um especialista em relações humanas. É mais do que o conteúdo programático ou método de ensino, é saber olhar para os alunos e para as relações estabelecidas através do processo de ensino-aprendizagem. Como digo no meu livro A aula da xícara: uma experiência sobre a relação professor-aluno:

“A rotina faz parte do dia-a-dia em sala de aula, mas a monotonia não! […] transforme momentos simples em grandiosos,  pequenas atividades em grandes eventos simbólicos, tendo a atenção e o olhar para o outro como um princípio”.

Portanto, o professor deve se reconhecer como protagonista fundamental da educação e praticar o que tem de melhor: o olhar para o aluno e para si mesmo. Para isso, é preciso um despertar: “Não sei como preparar o educador. Talvez porque isso não seja nem necessário, nem possível… É necessário acordá-lo […], pois eles não se extinguiram […] Basta que os chamemos de seu sono, por um ato de amor e coragem… e talvez acordados, repetirão o milagre da instauração de novos mundos”. Essa é a mensagem da contracapa do livro Conversas com quem gosta de ensinar, de Rubem Alves.

Não são críticas ou verdades absolutas, mais, sim, chamados. Chamados para o princípio. Chamados para que você relembre: Por que começou essa jornada? Ter essa missão clara auxilia o professor em sua rotina. Somente assim ele consegue desempenhar o papel que lhe cabe, importante tanto na vida dos alunos quanto para a sociedade. Quando o professor é capaz de perceber, conviver, incluir, seu valor é incalculável.

O olhar é também prender a atenção, pensar sobre o outro e valorizá-lo. Pratique-o. Afinal, fazer a diferença positivamente na vida de alguém, através da profissão que se escolheu, torna o trabalho ainda mais prazeroso. Boa reflexão!

Perfis de turma e individual na Eduqa.me - horizontal

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.