Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Desenvolvimento Infantil/Rotina pedagógica/Semanários/Formação
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Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Todo professor se propõe a planejar o seu dia, as suas atividades – mas como fazê-lo quando este planejamento não se refere apenas a ele mesmo, mas a todas as crianças que estão, por boa parte do dia, sob sua responsabilidade? Cada uma tem uma vontade, um desejo e está em um estado de busca. Quando a proposta é fazer um planejamento que parte destas vontades, desejos e buscas, o educador muitas vezes sente como se estivesse tentando planejar o imprevisível.

Como escolher o que entra no planejamento?

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

O professor que tem a preocupação em orientar sua turma tem que estabelecer um ponto de partida. Se as singularidades de suas crianças são importantes, ótimo: esse ponto de partida já esta estabelecido.

São elas. Tudo começa com observar e escutar sua turma e o que brota nos momentos da rotina: as ações mais procuradas, os interesses, as demandas, as pesquisas e descobertas, os assuntos que estão bombando entre as crianças.

Leia mais sobre esse tema no nosso post Personalização do Ensino na Educação Infantil.

O olhar do professor ao observar seu grupo não é um olhar à toa, à espera de que algo chame sua atenção para, só depois, despertar interesse. É um olhar intencional, preparado. Juntamente com a observação está a pauta do olhar, ou o motivo do olhar, elaborada pelo professor para orientá-lo naquilo em que vai prestar atenção. Afinal, as crianças são muitas e vários são os interesses.

A elaboração da pauta do olhar está intimamente ligada ao planejamento do professor, ao seu modo de trabalhar.  Um jeito possível de trabalhar com a (in)formação começa por perguntar. É provocar o olhar e a escuta para ativar a percepção e despertar a curiosidade.

  • O que as crianças fazem com maior frequência? (que movimentos corporais fazem com maior prazer, em quais encontram dificuldades?)
  • Quais os brinquedos e brincadeiras são mais solicitados?
  • Como elas se articularam? Quem brincou com quem? Quem não quis brincar?

Além disso, é preciso deixar espaço para olhar o olhar individual.

  • Quais as crianças serão observadas com maior atenção neste dia ou durante esta atividade? Quais os seus interesses? Estão buscando um desafio?

Um cuidado especial pode ser garantir um olhar para o uso dos espaços e dos materiais utilizados.

  • Como foi o envolvimento e a participação das crianças nestes espaços (parque, refeitório, quadra, área externa, sala de referência) e quais os materiais explorados?
  • Eles preferem os materiais não estruturados?

A partir das respostas a estas e outras perguntas pertinentes à sua turma, você terá anotações e informações importantes para ampliar os desafios oferecidos para as crianças. Estas respostas são alguns elementos deste seu planejamento.

Quais outras fontes de informação você possui?

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Você fez o registro das propostas anteriores neste ou em outros espaços da creche. Você tem uma fonte preciosa de informações e anotações sobre as pesquisas, descobertas, interesses e hábitos de cada um de sua turma. Alguém vai sempre para o mesmo brinquedo? Você já se perguntou o porquê? Há crianças que nunca usam algum brinquedo ou realizam alguma atividade? Novamente, você sabe por quê?

É claro que ninguém tem memória para guardar tudo o que vê e vivencia nas 10 horas da rotina, multiplicadas pelas 20 ou mais crianças da turma! Por isso a importância dos registros de acordo com a realidade da turma. Os registros contém tudo aquilo que o educador percebe – anotações, fotos, caderno de registros, produções dos alunos. Eles revelam as descobertas, as dificuldades, as conquistas e as possibilidades de cada criança e do grupo, e são sua matéria-prima para o próximo planejamento.

O que essas informações significam?

Com as respostas relacionadas às questões sobre os interesses atuais das crianças, mais os registros das atividades anteriores, mais os desafios identificados, você se pergunta: quais os encaminhamentos que essas informações indicam?

Sua resposta está em refletir e avaliar sobre quais dificuldades foram identificadas no grupo ou em uma criança e, a seguir, quais ajustes deverão ser feitos no tempo e na estrutura das respostas. E aí, bingo! Chegamos ao planejamento interessante, estimulador, adequado e repleto de possibilidades e brincadeiras. Não tem como dar errado!

Gaste seu tempo com o que realmente importa - horizontal

Fonte: Tempo de Creche

7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Rotina pedagógica
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7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Há vários elementos que precisam ser considerados ao se planejar o ano escolar. A equipe pedagógica costuma revisar as normas, o currículo, o desenvolvimento de atividades e testes – mas também é preciso pensar sobre o espaço da sala de aula: como organizar carteiras ou mesas, quadros de avisos e guardar materiais. Você pode reunir todos esses objetos, que aparentemente não têm conexão, e dividi-los em sete áreas de aprendizado. Elas são: as áreas de descoberta, de notícias, de materiais, comunitária, do silêncio, do professor e do conhecimento.

Área da descoberta

É ali que devem ficar todos os itens que estimulam a imaginação. Inclui materiais de artes e artesanato, gravadores, câmeras, instrumentos e tudo o que produza música, jogos, quebra-cabeças e livros ou revistas divertidos. Compartilhe também ideias e amostras de diferentes projetos que elas podem realizar, assim as crianças terão um ponto de partida.

Você pode aproveitar essa criatividade dando aos alunos uma ideia central a ser explorada. Proponha que eles desenhem o que veem, façam observações ou bolem perguntas (por escrito ou oralmente). Use essas manifestações como informação para reformular sua estratégia de organização e seus planos de aula.

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto:)

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto: Gluesticks, Games and Giggles)

Área de notícias 

A área das notícias vai ajudar a coordenar o calendário escolar, datas de avaliações e projetos, eventos escolares, feriados, festivais, clima, temperatura ou mesmo notícias regionais, nacionais ou internacionais interessantes para discussão. Esse espaço também pode ser usado para listar seus objetivos diários de aprendizado, expor trabalhos da classe e anotar tarefas de casa.

Área de materiais

Com certeza, ter uma área de materiais vai deixá-la mais tranquila! Aqui são guardados lápis, canetas, marcadores, apontadores, grampeadores, tesouras, réguas, papel, cola, fita adesiva, clipes de papel, lenços umedecidos, toalhas de papel, álcool gel, uma lixeira e outras ferramentas necessárias à sala de aula.

Para turmas mais velhas, esse também pode ser o local para tabelas com fórmulas e vocabulário, guias de estudo, manuais ou apostilas, pranchetas e cadernos. Além disso, o professor pode combinar com as crianças para que sempre entreguem ali suas atividades e tarefas de casa e guardem seus portfólios e livros de exercícios.

Uma caixa de achados e perdidos é outra adição que vai ajudar a turma a organizar a sala e ainda praticar a gentileza e responsabilidade.

Área comunitária

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Uma área comunitária serve a vários propósitos. Ela lembra as crianças que todos estão trabalhando por um objetivo comum. Proporciona tempo para discutir o que foi aprendido, fazer conexões, perguntar e apresentar outras perspectivas e participar de reflexões. Essas discussões são uma oportunidade para o professor avaliar o progresso da turma, esclarecer informações ou mal-entendidos e fazer anotações para planejar as aulas seguintes.

No início do ano, você irá mediar os debates, mas o objetivo é orientar as crianças até que elas consigam iniciar, mediar e encerrar discussões em grupo por conta própria. O que ajuda o processo é ter esse espaço de grupo delimitado e incluir o tempo de conversa na grade de horário.

Para isso, uma ideia é usar um tapete para marcar o espaço comunitário – além de dar aos alunos um lugar confortável para se sentar. Eles também podem ficar em pé ou organizar cadeiras em um círculo.

Área do silêncio

Dividir a sala de aula com mais de vinte crianças nem sempre é fácil. Alguns alunos optam por trabalhar sozinhos, alguns preferem atividades em grupo, enquanto outros simplesmente precisam de um espaço de silêncio em que possam se concentrar e compreender o tema, estudar, ler e escrever, completar uma prova ou apenas refletir.

Uma mesa extra e algumas cadeiras em um canto da sala podem ser usadas para definir a área do silêncio. Se possível, ofereça também alguns fones de ouvido para ajudar a filtrar o barulho dos colegas. Painéis podem ser usados para criar uma “parede”, separando os quietinhos das distrações.

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Área do professor

A área do professor é um pequeno oásis fora de casa, porém também ajuda a gerenciar todas as suas responsabilidades profissionais. Aproveite o espaço para recarregar as baterias com fotos de família, amigos, animais de estimação ou viagens de férias. Exponha recadinhos ou pequenas lembranças dadas pelos alunos.

Mesmo que não tenha uma mesa, garanta que haja pelo menos uma prateleira ou gaveta segura para guardar sua bolsa, chaves e outros objetos valiosos ou pessoais.

Essa área também é seu espaço profissional aonde você faz planejamentos, prepara aulas, avalia e dá notas, analisa o desenvolvimento das crianças e preenche relatórios. É onde devem ser guardados os manuais do professor, livros de referência ou tabelas.

Use a área do professor para ter reuniões particulares com seus alunos quando houver necessidade. Outra sugestão é acrescentar suas credenciais, diplomas e certificados profissionais – somando duas cadeiras para adultos, este pode ser o lugar ideal para receber os pais das crianças, colegas de trabalho ou administradores que quiserem dar uma olhada no seu trabalho.

Área do conhecimento

Guarde aqui atividades impressas, jogos, ferramentas tecnológicas e objetos relacionados às matérias que você ensina. É importante mostrar que esses temas estão conectados, porque muitas crianças têm dificuldade em perceber a relação entre as disciplinas aprendidas na escola.

Retire ferramentas e atividades manuais de dentro dos armários e as coloque nessa área. Use as paredes: coloque gráficos e cartazes com ideias de ponto de partida e possíveis projetos, flashcards (cartões plastificados, geralmente com imagens de um lado e definições, do outro), anotações, fotos/falas/desenhos de pessoas famosas em cada assunto, linhas do tempo e outros materiais impressos. Sempre que possível, acrescente objetos reais além de apenas gravuras. Organize novo vocabulário alfabeticamente ou dentro de uma história – o importante é dar sentido a cada um deles mostrando o contexto.

Delimite essa área com estantes e mesas na altura dos alunos, assentos confortáveis e mesmo bichos de pelúcia.

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Não deixe o tamanho da sua sala de aula impedir a organização! Algumas dessas áreas podem ser criadas em apenas uma estante, prateleira, armário ou mesa. Além disso, você não precisa estipular todas as sete áreas – comece por aquelas que serão mais úteis para você e sua turma ou escolha uma como teste e veja o que acontece!

Esse texto é uma tradução do artigo 7 Learning Zones Every Classroom Must Have, do Edutopia. Clique aqui para ler o original.

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Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

por Luciana Fernandes 

Cada vez mais, a comunidade científica nos presenteia com novas descobertas sobre o autismo. Sabe-se, porém, que ao se tratar de diversidade humana, e, neste caso, do autismo, os desafios são muitos; desafios instigantes que nos levam para o caminho das possibilidades.

Numa era em que algumas escolas querem “retroceder”, posicionando-se contra a obrigatoriedade de alunos com deficiência nos espaços escolares, é preciso evoluir. E só é possível evoluir quando se está disposto a aprender mais e mais sobre o tema.

Muitas dúvidas cercam esta temática, vamos esclarecer algumas delas para que o professor possa se sentir confiante em sua prática pedagógica. Começaremos por pensar em como o professor pode atuar ou se relacionar com um aluno que tem autismo. Entretanto, o que segue abaixo está longe de uma receita ou de um passo a passo, já que estamos falando de pessoas: o que funciona para uma pode não dar certo para outra.

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades – mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Como tratar meu aluno com autismo?

  • O aluno com autismo deve ser tratado da mesma maneira que as outras crianças, sem privilégios e com atenção e respeito às suas necessidades;
  • A criança com autismo precisa de rotina e costuma se incomodar com mudanças inesperadas, por isso, informe-a quando possível sobre as alterações ocorridas. Use uma agenda ou um quadro de avisos;
  • Identifique o que causa desconforto no seu aluno com autismo. Por exemplo, se a criança não gosta de um brinquedo, leve-a para escolher outro;
  • Descubra o que faz a criança perder o controle emocional (bater, morder, gritar). Quando episódios deste tipo acontecerem, não tente impedir: preocupe-se em acalmar o aluno mantendo-o seguro e livre de perigos. Não grite ou repreenda o aluno no meio de uma crise; essas atitudes não vão resultar em nada;
  • Muita informação ou estímulo verbal pode ser ruim. Introduza estímulos visuais;
  • A frustração não deve ser evitada, mas mediada. Por isso, sempre que for oportuno, elogie!
Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Quais os métodos de ensino mais recomendados?

Outra questão muito recorrente é sobre os métodos e atividades pedagógicas adequados às crianças com autismo. Abaixo estão as metodologias mais utilizadas:

  • ABA (Applied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicado): É baseada na teoria comportamentalista. Para diminuir os comportamentos indesejados, é adotado o sistema de recompensas (conhecido como reforço positivo). Contudo, há muitas críticas a este sistema no âmbito educacional. Vale pensar em alternar outras estratégias;
  • TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped – Tratamento e Ensino de Crianças Autistas e outras Dificuldades de Comunicação Relacionadas): Apesar de também ser pautado na teoria comportamentalista no ambiente pedagógico, o TEACCH traz cuidados mais específicos em relação à organização visual e estrutura do local. O ambiente deve ser organizado através de rotinas em murais, sem estímulos que possam distrair a criança (barulho, janela, brinquedos à vista, coisas penduradas nas paredes como cartazes e outros objetos). O método fornece técnicas de organização, repetição e treinamento (auxiliares no processo de alfabetização) e pode ser utilizado em casa ou na escola;
  • PECS (Picture Exchange Communication System): É um sistema de comunicação alternativa para aqueles que não falam, possibilitando uma interação através de figuras. Com as figuras, a criança com autismo pode se comunicar e expressar seus desejos.

Há outros métodos a atuação com o autismo, que, apesar de menos conhecidos, apresentam resultados positivos:

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

  • Método Floortime (na tradução literal, “tempo no chão”, ou hora de ficar no chão): O foco é o adulto “ir para o chão”, e, assim, interagir com a criança no seu nível;
  • Método Son-rise: Além de também defender um ambiente com menos distrações, esse modelo prioriza o relacionamento interpessoal para aumentar o contato visual, comunicação e atenção. Trabalhando com motivação ao invés de repetição para garantir o aprendizado, o Son-rise tem sido bastante disseminado na Europa e América entre pais e terapeutas;
  • Método Montessoriano: É indicado por ser uma abordagem que propõe o desenvolvimento do sujeito em sua totalidade, além das questões cognitivas. Pode ser bem aproveitado pela riqueza de materiais para exploração.

É importante ressaltar que não existe um único método mais eficaz: o melhor método é sempre aquele que funciona!

O que considerar na hora da preparação das atividades?

  • Estimular os 5 sentidos, principalmente a visão. A informação visual deve vir antes da informação verbal;
  • Valorizar e ressignificar os movimentos repetitivos: alguns professores optam por juntar-se às crianças nesses rituais, mostrando compreensão e criando um vínculo afetivo mais próximo;
  • Trabalhar com exercícios de repetição de conteúdo;
  • Apostar em materiais concretos ou figuras de referência para a criança como a sua própria foto, a foto dos familiares, amigos, etc.;
  • Proporcionar atividades de organização e pareamento de objetos;
  • Adaptar seu tempo: é importante dosar o tempo das atividades para priorizar a atenção e qualidade da aprendizagem. O tempo de planejamento também é outro – prepare objetivos pedagógicos de curto prazo;
  • Usar fichas ou cartões para memorizar ou ensinar conceitos;

Para compreender essas dicas na prática, faça download das atividades que preparei pra você clicando aqui. São oito sugestões de exercícios perfeitos para uma sala de aula de Educação Infantil.

Acima de tudo, não desista dos seus objetivos! Tudo que você faz por um aluno, por mais que pareça ineficaz, deixará uma marca positiva no desenvolvimento de cada um deles.

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Para saber mais sobre o autismo

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Tudo o que você precisa saber para escrever um ótimo parecer descritivo

O parecer deve contemplar a criança como um todo: não apenas o aprendizado cognitivo, tradicional, mas também seus aspectos sociais e emocionais (foto: Apple Tree Institute)

Registros/Rotina pedagógica
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Tudo o que você precisa saber para escrever um ótimo parecer descritivo

Dos zero aos seis anos de idade, as crianças não são avaliadas por notas, mas sim por uma análise mais completa do seu desenvolvimento cognitivo, socioemocional e físico – algo que poderia, na minha opinião, estender-se por todos os níveis de educação. Na avaliação formativa, essa realizada na Educação Infantil, o objetivo é comparar a criança à ela mesma, perceber os obstáculos e dificuldades que ela enfrenta, assim como reconhecer conquistas e potenciais de crescimento. É a partir dessa análise que o professor pode definir suas próximas aulas sabendo que está fazendo o que é melhor para a evolução de cada criança de sua turma.

A maioria das escolas que conheço ainda utiliza uma lista de objetivos de aprendizagem relacionados a seis grandes áreas de conhecimento: Artes, Música, Linguagem Oral e Escrita, Movimento, Matemática e Natureza e Sociedade. Essas áreas foram estipuladas na década de 90, no Referencial Curricular de Educação Infantil. Se você trabalha com esses tópicos, provavelmente deve responder cada um deles com um “sim”, “não” ou “em andamento”. Na plataforma Eduqa.me a Escola fica livre para criar por matéria, projeto ou qualquer outra nomenclatura.

Veja:

Com as mudanças que vêm sendo discutidas na área da Educação – como, por exemplo, o ensino integral ou a interdisciplinaridade – é de se esperar que a forma de avaliar também se transforme. Afinal, o desenvolvimento infantil não pode ser medido apenas com duas ou três palavras em uma tabela, certo? É preciso espaço para fazer reflexões mais profundas sobre cada criança, sobre sua vida emocional e social (que é tão importante para o sucesso e a saúde futuras quanto o aprendizado cognitivo) e tudo o que interfere na sua vida escolar.

Calma, não é hora de jogar tudo fora e começar um novo processo avaliativo do zero. Provavelmente, sua escola já caminha nessa direção: é para isso que serve o parecer descritivo, que acompanha a maioria das avaliações na Educação Infantil. Na Eduqa.me, é possível acompanhar todas as atividades por área do conhecimento, alunos e atividades feitas na linha do tempo como mostra a tela abaixo:

Para que serve o parecer descritivo?

Ele é uma interpretação da sua avaliação (aqueles objetivos que você respondeu com “sim”, “não” ou “em andamento”), ou, ainda, um diagnóstico em que o professor reconhece as necessidades das crianças e sugere uma estratégia para que elas se desenvolvam plenamente. Lembre-se de que o objetivo é informar os adultos e buscar soluções, nunca rotular a criança como boa ou ruim.

Esse documento acompanha a avaliação, portanto, não é preciso copiá-las palavra por palavra – além de isso tomar tempo dobrado do professor, não será útil nem à coordenação, nem aos pais, nem aos próximos professores que seu aluno tiver.

Também não é necessário enfeitar o texto: mantenha um estilo simples e conciso, fácil de compreender. Quanto mais clara for a mensagem, melhor e mais eficaz o acompanhamento que essa criança vai receber de todas as frentes. Normalmente, o parecer não deve passar de uma ou duas páginas.

O que devo escrever?

 

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O parecer deve contemplar a criança como um todo: não apenas o aprendizado cognitivo, tradicional, mas também seus aspectos sociais e emocionais (foto: Apple Tree Institute)

O parecer deve contemplar a criança como um todo: não apenas o aprendizado cognitivo, tradicional, mas também seus aspectos sociais e emocionais (foto: Apple Tree Institute)

Você quer olhar para o desenvolvimento integral de cada criança – o que pode ser um pouco abstrato demais. É comum que os professores se sintam inseguros com o parecer descritivo, temendo estar deixando algo importante de fora.

Ao invés de começar a escrever sem um objetivo, agrupe seus registros e avaliações dentro destes aspectos:

  • Aspectos cognitivos: ou o aprendizado tradicional. Está relacionado à memória, pensamento crítico, compreensão de informações e aplicação dos conhecimentos em contexto real. Basicamente, o professor vai descrever como os alunos estão se saindo no ambiente de sala de aula, executando as atividades propostas e aprendendo os conteúdos selecionados pelo currículo;
  • Aspectos sociais: descreva como a criança se relaciona com os colegas, com o grupo e com outros adultos. Características como participação, cumprimento das regras, trabalho em equipe, organização e responsabilidade entram nessa categoria;
  • Aspectos emocionais: também é essencial abordar os comportamentos e expressões de emoção. Como ela lida com sucessos e fracassos? Como se sente no ambiente escolar? Como reage a novos desafios? De que forma lida com seus sentimentos (costuma chorar, tem alguma atitude agressiva, isola-se do resto da classe, etc.)?
  • Aspectos físicos: sua turma está em uma fase crítica de crescimento, e isso deve ser acompanhado de perto. Use esse espaço para falar do desenvolvimento da expressão corporal, ritmo e equilíbrio, motricidade ampla e fina, uso e aplicação de força. Aproveite para descrever rapidamente questões de saúde e higiene que pareçam relevantes (uma sugestão sobre alimentação saudável, por exemplo, estaria nessa categoria).

Como me expressar?

Ao invés de usar termos muito amplos, conte experiências específicas para mostrar o que está acontecendo na escola (foto: Top Care)

Ao invés de usar termos muito amplos, conte experiências específicas para mostrar o que está acontecendo na escola (foto: Top Care)

Mantenha um tom firme – você deve ter certeza do que está escrevendo com base em suas observações durante as aulas, seus registros por escrito, fotos ou vídeos, as produções realizadas pelas crianças durante aquele período e, se necessário, discussões com outros professores e coordenadores que já conviveram com aquelas crianças. Esse material deve ser reunido para que o professor tenha uma visão completa e apurada.

Por outro lado, tenha em mente que os pais ou familiares não acompanharam a sala de aula com você em todos os momentos, nem terão todos os seus registros para embasar a avaliação. Você deve descrever os comportamentos e aprendizados com palavras e verbos específicos. Isso não significa encher seu texto de detalhes e escrever várias páginas, mas sim evitar expressões muito amplas que não expliquem exatamente o que você quer dizer: você pode, por exemplo, dizer que uma das crianças “fala demais”. Isso, entretanto, não ajuda muito a compreender a situação. Tente substituir por descrições de momentos em que isso acontece – ela interrompe os colegas? O professor? Conversa sobre o tema da aula ou sobre ideias próprias? Fala de forma agressiva ou bem humorada?

Tome cuidado para não soar fria ou distante. Afinal, você passa horas com aquelas crianças todos os dias, e os pais querem sentir que seus filhos estão em um local seguro, com alguém que se importa com eles. Portanto, evite termos pejorativos, expressões negativas ou julgamentos precipitados.

Enfatize sempre os pontos positivos das crianças. Encontre aquilo em que ela se destaca – seja a comunicação, sejam trabalhos artísticos, seja o relacionamento afetuoso com os colegas, a aptidão para matemática – e dê destaque a essas características.

Sugira soluções e trabalhe em equipe

Após descrever o desenvolvimento atual das crianças, seus pontos fortes e dificuldades, sugira formas de superar os problemas em parceria com a família (foto: DRPF Consults)

Após descrever o desenvolvimento atual das crianças, seus pontos fortes e dificuldades, sugira formas de superar os problemas em parceria com a família (foto: DRPF Consults)

A estrutura do seu parecer deve conter:

  • Experiências em que a criança se destaca;
  • Experiências em que a criança está se desenvolvendo dentro do esperado;
  • Experiências em que a criança está apresentando dificuldades;
  • Possíveis ações para ajudá-la a superar essas dificuldades.

Ou seja, caso você identifique problemas que precisem ser corrigidos, siga seu diagnóstico com possíveis ações. Explique brevemente o que está acontecendo e porque isso é problemático. Diga qual evolução você gostaria de ver e, então, aponte caminhos para atingi-la.

Mostre tanto o que pode ser feito pela escola e pelo professor quanto o que a família pode fazer em casa para auxiliar na mudança. Além disso, coloque-se à disposição dos pais para ajudá-los a superar a situação ou ouvir suas dúvidas e opiniões.

Outros cuidados

O parecer descritivo é um documento da escola. Por isso, tome cuidado com erros de grafia, gramática, pontuação ou formatação. Não entregue textos rasurados.

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Como uma camiseta de super-herói está promovendo a autoestima infantil

Além da comunidade virtual, a marca És Super quer mostrar às crianças que elas são valorizadas pelos adultos (foto: És Super/Sentido de Si)

Carreira/Práticas inovadoras/Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Como uma camiseta de super-herói está promovendo a autoestima infantil

Por que algumas crianças persistem em uma atividade e outras desistem após poucas tentativas? O que leva algumas à experimentar novidades tranquilamente e, outras, a temer mudanças? O desenvolvimento da autoestima infantil tem tudo a ver com essas situações – e, aliás, muitas outras: ter uma autoestima saudável permite que as crianças peçam e ofereçam ajuda quando necessário, deem valor às suas opiniões e vontades e mesmo compreendam a necessidade do esforço para atingir um objetivo.

Com tudo isso, a importância de cultivar a autoestima na infância fica explícita. Por isso, gostamos tanto de conhecer o projeto Sentido de Si, que está promovendo justamente o bem estar e a saúde mental com foco na autoestima, em Portugal. A professora Susana Fernandes, diretora da iniciativa, descobriu a Eduqa.me, começou a usar o site e, na semana passada, conversou conosco sobre como estimular esses valores positivos nas crianças.

És Super

Esse é o nome do programa, dentro do projeto Sentido de Si, que trabalha especificamente com crianças e jovens (há outros, voltados a adultos e idosos). Ele segue dois caminhos: o primeiro é a criação de uma comunidade online, a Comunidade És Super, que conecta pessoas, ONGs e empresas de todo o país que, de alguma forma, dediquem-se à saúde mental infantil.

“Por ser um projeto com pouco tempo de existência, sozinhos, nós ainda não conseguimos atender toda essa população”, explica Susana. “Então, o que fazemos é reunir outras entidades e projetos que já façam esse trabalho em comunidades locais e os levamos para todo o país”.

Essas organizações podem agir diretamente com as crianças ou oferecer capacitações para os adultos que convivem com elas: pais, familiares, professores e diretores. Quem participa da comunidade recebe um cartão És Super, que facilita o acesso a esses serviços, seja através de pesquisa no site, descontos ou eventos especiais.

Outra vertente do projeto é a marca de produtos És Super, que vende roupas com mensagens positivas para as crianças. O objetivo é que elas se tornem uma comunicação espontânea entre adultos e crianças, demonstrando o carinho e a valorização entre eles com a entrega do presente. Susana narra a história de um menino que recebeu uma camiseta com os dizeres “És super corajoso” da professora. Ele havia chamado a atenção dela por estar sofrendo bullying na escola – um colega o empurrava e pregava peças todos os dias.

No dia em que vestiu a camiseta, ele contou à professora que fora empurrado outra vez, mas, quando viu seu reflexo e leu a frase de apoio, lembrou do que a professora tinha dito: que o achava corajoso. E teve mesmo coragem de enfrentar o outro aluno. “Ele virou para o menino e disse ‘você não pode mais fazer isso. Não é gentil'”, conta Susana, “e isso mostra o efeito de um simples objeto, algo que parece tão superficial, de mudar a imagem que alguém tem de si mesmo”.

 

Deixe que a criança ajude os adultos ou os colegas de turma. Isso faz com que ela perceba seu valor e como pode contribuir com o mundo (foto: UCDS Students)

Deixe que a criança ajude os adultos ou os colegas de turma. Isso faz com que ela perceba seu valor e como pode contribuir com o mundo (foto: UCDS Students)

Gostou?

Então não deixe de ler mais sobre autoestima em nosso blog.

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Perfis de turma e individual na Eduqa.me - horizontal

Leia mais:

Educar para Crescer

Guia Infantil

Escola Psicologia

Delas Ig

És Super

Por que a rotina é essencial na Educação Infantil?

Entender o que vai acontecer durante o dia dá segurança às crianças e ajuda a desenvolver sua autonomia (foto: Young World CLC)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Rotina pedagógica
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Por que a rotina é essencial na Educação Infantil?

Em 2014, fiz um estágio em um jardim de infância Montessori – e, durante aqueles meses, pude entender como a rotina é essencial tanto para o aprendizado quanto para o desenvolvimento da autonomia das crianças. Todos os dias, ao chegar na escola, elas guardavam suas mochilas (que eram instruídas a carregar por conta própria, sem auxílio dos pais ou babás) e iam para a “Sala Grande”. Às oito da manhã, uma das professoras chamava a atenção da criançada com uma música; então, após dois ou três minutos de danças e cantorias, era hora de sentar em círculo e começar a primeira atividade daquela manhã.

As crianças montavam o calendário (um enorme cartaz de EVA em formato de trenzinho com espaço para o dia, mês, ano e dia da semana) e conferiam como estava o clima lá fora. Isso enquanto revisavam os meses do ano e os dias da semana através de cantigas. Enfim, era hora de conversar sobre o tópico da semana, que podia ser alimentação saudável, um festival que estivesse acontecendo na cidade ou mesmo algo sugerido pelos alunos, como “aviões”. Nesse momento, eles podiam levantar a mão para falar, contar suas histórias e fazer perguntas, o que gerava uma interação muito rica entre crianças de 2 a 7 anos. Finalmente, todos eram dispensados para ir, junto aos seus professores, realizar as atividades pertinentes a cada classe.

Essa rotina pode não ser a mesma realizada na sua escola – e nem as rotinas escolares na Educação Infantil deveriam ser todas iguais. Se as crianças rezam, cantam, conversam ou escutam uma história deve ser definido por cada equipe pedagógica. O importante é que haja uma rotina, uma ordem a ser seguida.

Entender o que vai acontecer durante o dia dá segurança às crianças e ajuda a desenvolver sua autonomia (foto: Young World CLC)

Entender o que vai acontecer durante o dia dá segurança às crianças e ajuda a desenvolver sua autonomia (foto: Young World CLC)

Por que a rotina é importante?

A rotina proporciona uma sensação de segurança. Mesmo em casa, a criança exposta a uma rotina fica mais tranquila porque sabe o que acontecerá em seguida. Na escola, um ambiente em que ela naturalmente se sente menos protegida, que costuma ser o primeiro local de socialização fora da família, isso é ainda mais urgente.

Quando sua turma entende que, após a hora da história, todos irão cochilar e que, depois do cochilo, chega o momento de usar os lápis de cor, a ansiedade diminui. Ela se sente no controle da situação. Cultive essa noção de segurança repetindo comportamentos e expressões sempre nos mesmos momentos – como sempre começar o dia dizendo “Bom dia, amiguinho, como vai?” ou ir ao banheiro após falar “Hora de lavar as mãos com bastante sabão”, fazendo o gesto de esfregar as mãos uma na outra.

Como consequência, a rotina ajuda no desenvolvimento da autonomia das crianças na Educação Infantil. Afinal, elas passam a conhecer os espaços, trajetos e atividades realizadas, sentindo-se mais confortáveis em agir com independência: guardando brinquedos ou materiais na prateleira, porque eles sempre estão lá, ou buscando a lancheira após entregar o desenho para a professora, já que elas sempre vão para o refeitório após a aula de artes.

Conforme a classe for se familiarizando com essa organização, o professor deve dar mais espaço para a autonomia, deixando, por exemplo, que as próprias crianças organizem uma fila ou escovem os dentes sem ajuda.

Todos os momentos devem ser programados?

De certa forma, sim. Isso não significa, porém, que os professores e funcionários precisem controlar tudo o que as crianças fazem durante o período escolar, mas sim que devem ter locais e atividades planejados para cada momento.

Pense no seguinte: em uma turma de Educação Infantil com 20 crianças, nem todas sentirão sono na mesma hora. Caso uma ou duas se recusem a dormir, o professor não pode ser pego de surpresa – o ideal é ter uma área com livros e gibis, brinquedos ou outros materiais que elas possam utilizar até que o resto da turma acorde. Você não precisa elaborar uma atividade orientada, apenas providenciar a supervisão adequada tanto dos que estão tirando uma soneca quanto dos que estão brincando.

Uma boa programação deve incluir um momento de chegada, com boas vindas às crianças (como a construção do calendário que vimos acima), atividades dirigidas (aquelas que têm maior orientação do professor, com objetivos de aprendizado definidos previamente), atividades livres (mas sempre em um espaço delimitado e com supervisão) e momentos de cuidado pessoal (fazer o lanche, lavar as mãos e escovar os dentes, colocar os sapatos antes de ir para casa, etc.) e encerramento.

É importante que a turma entenda que não precisa chorar para sair do playground, porque vai voltar no dia seguinte, que não precisa ter medo ao ser deixado na escola, porque os pais sempre a buscam ao fim da rotina, e assim por diante.

Repetir os mesmos movimentos ou expressões é uma forma de garantir a rotina na Educação Infantil (foto: Especially for Children)

Repetir os mesmos movimentos ou expressões é uma forma de garantir a rotina na Educação Infantil (foto: Especially for Children)

Será que a minha rotina é adequada? 

A rotina da Educação Infantil será estabelecida pela escola a partir das necessidades das crianças:

  • As necessidades biológicas – o descanso, a alimentação e a higiene, a faixa etária;
  • As necessidades psicológicas – o ritmo e o tempo de aprendizado de cada criança nas diversas tarefas realizadas;
  • As necessidades sociais – a cultura e estilo de vida daquela comunidade ou daquela escola.

Lembre-se de que o foco da organização devem ser as crianças. Não faz sentido, por exemplo, jantar às 15h para liberar a equipe da cozinha, se os pais só buscarão os filhos às 17h ou 18h.

Os tempos entre uma atividade e outra também devem ser observados. O ideal é que haja poucos momentos de transição, em que os pequenos não têm nada para fazer – assim como no caso da soneca, isso se resolve com a criação de espaços lúdicos em que eles possam brincar enquanto não são atendidos. Um rodízio de turmas (para que a fila na porta do refeitório não seja quilométrica ou um pátio pequeno fique lotado além da capacidade) também pode facilitar esse trabalho.

Acima de tudo, reparar no que as crianças já conseguem realizar sozinhas vai ajudar muito na definição da rotina. Em que elas realmente precisam de ajuda? Uma classe de 2 anos exige mais auxílio – e, logo, muito mais tempo – do que uma outra, de 5 anos. É natural que o professor vá assumindo gradualmente o papel de observador e facilitador conforme as crianças crescem e já não requerem tanta intervenção.

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