Estudar nas férias? Sim, não, talvez!
Rotina pedagógica
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Estudar nas férias? Sim, não, talvez!

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As crianças contam os dias para chegar as férias. Brincadeiras, diversão, sair da rotina é o que eles mais querem, gostam e merecem.

Entretanto, para os pais, as férias escolares nem sempre são um tempo para curtir em família, alguns pais se preocupam ao pensar: será que devo fazer o meu filho estudar nas férias?

Algumas escolas já orientam os pais a não forçarem a criança a estudar, já que ela precisa de brincar e recarregar as energias para o novo ano escolar ou para a continuidade do mesmo.

Um fato curioso e muito importante levantado num jornal francês para educadores há muitos anos atrás, num artigo de grande sucesso, falava da necessidade que todos temos de saber descansar (quando e como). As férias existem para isso, não é?

Antes de mais nada, quero substituir este termo “estudar nas férias”, por “aprender nas férias”, afinal, aprender num momento descontraído é tão bom quanto o brincar. Aprendemos todos os dias e em todos os momentos algo novo, não necessariamente para aprender, temos que estudar, contudo, sugiro a troca dos termos estudar por aprender, para ressignificar a forma de fazermos isso nas férias.

Para afastar qualquer mal-estar dos pais, tratamos de trazer neste texto, 3 respostas que poderão ajudar nesta decisão: Aprender nas férias? sim, não e talvez.

Veja em qual delas o seu filho se identifica mais:

SIM: se o seu filho tem uma dificuldade de aprendizagem permanente ou alguma deficiência, a resposta é sim! As crianças com mais dificuldade precisam sempre de estímulos.

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Se nas férias não houver a estimulação da atenção, da leitura e do registro, quando as aulas recomeçam, estas crianças, na maioria dos casos (sem generalizar) parecem também recomeçar, mas não de onde pararam e sim tudo outra vez.

A falta de estímulo, mesmo que seja por um período curto de tempo pode ser prejudicial, por isso, a dica é para que vá com seu filho as livrarias, bibliotecas, explore, registre e desenhe com a criança o que fizeram e/ou o que vão fazer na viagem de férias. Escreva palavras sobre a viagem no álbum de fotos da família, enfim, invente formas divertidas de brincar.

Mas ATENÇÃO! Já substituímos o  termo estudar nas férias por aprender nas férias, porque não estou dizendo que se deve reproduzir os conteúdos escolares!!! A criança precisa ler as palavras ou figuras (se já está nesta fase), assim como fazer listas, escrever/desenhar bilhetes ou pequenas cartas, ter responsabilidades como ajudar nas compras, calcular o quanto vai gastar, entre outras tarefas que envolvem a leitura, escrita e a matemática no dia a dia.

Jogos pedagógicos também são um excelente recurso. Aproveite estes momentos junto do seu filho para brincarem com jogos da memória, quebra-cabeça, dominó, lince, etc.

Nada de castigos, como por exemplo, fazer as crianças estudarem os conteúdos, realizarem cópias ou outras atividades inapropriadas ao contexto das férias, ou ainda propostas que mecanizam o processo de aprendizagem… tomem muito cuidado com o “significado do aprender nas férias” que estamos propondo aqui, ok!!? A ideia é ler, escrever e contar de forma lúdica, divertida e principalmente, diferente do que é feito na escola.

TALVEZ: se o seu filho teve um semestre escolar razoável onde era esperado mais dele, ou seja, ele poderia ter se saído melhor já que tem muito potencial, a resposta é talvez.

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Seja maleável e alterne entre as brincadeiras, um momento para construírem algo juntos; o importante é motivá-lo e fazer com que ele se sinta capaz e confiante para produzir mais e melhor. Jogos pedagógicos e atividades de educação artística são boas ideias.

NÃO: se o seu filho teve ótimos resultados e tudo está a correr bem na escola, a resposta é não. Deixe ele livre para brincar e voltar para as aulas descansado e animado.

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Independente da necessidade de aprender nas férias, o incentivo a leitura deve existir sempre em todas as idades, cada qual com os recursos e linguagem adequada.

Aproveitem bem as férias e  façam dela um momento de alegria, prazer e muita partilha.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpageLuciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Readaptação e acolhimento na Educação Infantil: como agir?
Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Readaptação e acolhimento na Educação Infantil: como agir?

Quando as crianças já são veteranas na escola, tanto os pais quanto os professores podem entender que não há muito com o que se preocupar, pois eles já conhecem o espaço, os colegas e os professores. São com os calouros, ou melhor, com os pequenos ingressantes que se deve ter um maior cuidado, atenção e acolhimento.

Na verdade, não é bem assim! A readaptação na Educação Infantil é tão importante quanto a adaptação, e é carregada de sentimentos e mudanças, pois sair do ambiente da sua casa e ter que superar novos desafios não é tão simples quanto parece.

Para os pequenos, as férias são na maioria das vezes, muito agradáveis só pelo fato de saírem da rotina, estarem mais perto dos pais, brincarem livremente e curtirem a sua própria casa e os seus brinquedos. Ter que sair deste espaço tão conveniente e agradável é o que torna necessário, uma postura acolhedora por parte das escolas e também dos pais neste processo de readaptação.

Voltar para a escola, depois destes momentos tão agradáveis de prazer e liberdade, faz vir à tona na criança o sentimento de separação e de ruptura, e isso às vezes mostra-se um pouco doloroso para ela. As impressões e sensações sobre a escola, podem apresentar-se um tanto quanto desorganizadas, pois ao mesmo tempo que há lembranças positivas da escola e das coisas boas que acontecem lá, há também as lembranças afáveis e alegres de estar em casa. A criança vive um dilema, como se tivesse que escolher “a escola ou a casa”, por isso, o sofrimento que a deixa insegura para voltar a rotina.

criança de mochila dando tchau Veja agora, algumas dicas sobre como agir neste processo de readaptação da criança e que envolve não só a escola, mas também os pais:

 Para os pais:

  1. A criança pode chorar e dizer que não quer ir à escola. Isso é normal! Ajude-a a lembrar o quanto a escola é um espaço divertido e alegre. Tenha calma e transmita sempre confiança e segurança ao seu filho.
  2. Procure não se atrasar para chegar à escola e para buscar a criança de volta para casa. O atraso pode colocar a criança em evidência e a expor de alguma forma e a espera pode ser terrível e despertar sentimentos ruins como ansiedade, abandono e medo.
  3. Incentive que seu filho partilhe a experiência das férias com os amigos. Isso pode ser motivador e reaproximá-los ainda mais.
  4. Converse com o seu filho sobre a escola. Mostre interesse pelo dia dele e conte como foi o seu dia também.
  5. Expresse os seus sentimentos! Diga que os ama e que voltar ao trabalho também é difícil para você, mas recorde das coisas boas de voltar a rotina, assim como fazê-lo perceber que virão outras férias e outras readaptações a escola.

Para os professores:

  1. A criança necessita se RECONHECER novamente no espaço escolar. Ajude-a a sentir-se à vontade, lembrando-a dos bons momentos que já passaram ali.
  2. Dê colo! Os pequenos vão chorar e precisam de toque, carinho, acolhimento e  a compreensão dos seus sentimentos.
  3. Permita que as crianças entrem no ritmo gradativamente. Não é 8 e nem 80, mas é um misto de atividades livres e dirigidas.
  4. Proporcione momentos para ouvir a criança! Organizar rodas de conversa é uma boa estratégia.
  5. Preocupe-se em reforçar os vínculos e construir uma relação harmoniosa e respeitosa entre todos.

Nas primeiras semanas só veremos turbulências e dificuldades, mas logo tudo se ajusta e a rotina volta a funcionar como antes. Dependerá da nossa persistência, paciência e da quantidade de confiança e segurança que investiremos na interação com as crianças.

Não podemos nos precipitar e ignorar este momento tão importante e que carece dos nossos melhores cuidados, já que para a criança, readaptar-se à escola está intimamente relacionado a forma em que ela é acolhida. Readaptar e acolher ajuda a construir um ambiente saudável para que os pequenos se sintam felizes, seguros e dispostos a aprender.

Vale a pena observar e registrar como a criança tem se sentido durante as aulas. Uma anotação específica da criança, uma fala, um comportamento diferente que você percebeu. Você também pode inserir fotos e vídeos para tornar o registro ainda mais rico.

Registros de atividades na Eduqa.me

Anotações individuais na Eduqa.me

Anotações individuais na Eduqa.me

Clique AQUI para acessar a plataforma e descobrir como você pode fazer seus registros de um jeito que não consuma todo o seu tempo fora da Escola.

 

 Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Como pais e professores podem facilitar a adaptação escolar?

Mother with daughter (8-10) looking at one another

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Como pais e professores podem facilitar a adaptação escolar?

O ingresso na escola é considerado um dos marcos mais significativos de separação entre as crianças e seus pais. É o espaço onde elas vão se confrontar, conhecer e vivenciar situações, valores e culturas diferentes daquelas em que foram criadas.

A adaptação ao meio escolar é um processo que deve ser tratado com muito cuidado, responsabilidade, confiança e amor. Além disso, vale lembrar que o sucesso da criança nessa fase dependerá muito mais dos adultos envolvidos (pais e professores) do que da própria criança.

É natural que a criança sinta medo do abandono – por isso, o choro é comum nos primeiros meses de experiência. Isso não significa que a escola ou a família estejam fazendo mal à criança, apenas que ela está aprendendo como lidar com novos desafios.

O processo de adaptação pode se manifestar de formas diferentes, dependendo das características individuais e do contexto de cada criança. Porém, ainda que haja crianças mais apegadas aos pais e, outras, claramente extrovertidas e com facilidade de interação, todas, sem exceção, precisam se sentir acolhidas, respeitadas e seguras – não só para que a sua aprendizagem corra bem, mas para que seu desenvolvimento psicossocial seja saudável.

Os pais precisam confiar na escola e ser incluídos no processo de adaptação (foto: Kinderlime)

Os pais precisam confiar na escola e ser incluídos no processo de adaptação (foto: Kinderlime)

Pontos de reflexão para o professor:

  • Prepare bem o ambiente para receber os alunos. Pense num espaço sem muitos estímulos, a priori, já que o objetivo é acalmar a criança e fazê-la sentir-se bem, não confusa e agitada.
  • Apresente as pessoas da escola, o espaço físico e os materiais/jogos/brinquedos.
  • Acalme-se, professor! A única coisa com que você precisa se preocupar neste momento é estabelecer um vínculo de confiança com as crianças. Não idealize um primeiro dia perfeito ou fique frustrado com imprevistos.
  • Nunca coloque um aluno numa situação de conflito; ajude-o e medie situações-problema.
  • Faça um esforço para conhecer todos os seus alunos, e os respectivos pais, pelos nomes. Isso faz diferença, mostrando que cada um é único. Assim que possível, descubra do que seus alunos gostam e interaja com as famílias.
  • Respeite os comportamentos adversos da criança, amparando-a e protejendo-a. Tente ressignificar a agressividade dela oferecendo opções para a mudança de comportamento.
  • Ofereça momentos de atenção individual a criança, mas, gradualmente e com paciência, ensine também que a escola é um espaço coletivo.
  • Entenda que essa fase também não é fácil para os pais, já que, agora, eles passam a partilhar a educação dos filhos para além do núcleo familiar. Eles precisam se sentir confiantes quanto aos métodos da escola – portanto, dedique-se a explicar sua rotina e tirar dúvidas.

As dicas acima são válidas para todo início de ano letivo, mesmo para aquelas crianças que não são novas na escola.

Conversar com a criança antes e durante o processo de adaptação é importante - mas os pais precisam ser honestos e praticar a escuta (foto: Huffington Post)

Conversar com a criança antes e durante o processo de adaptação é importante – mas os pais precisam ser honestos e praticar a escuta (foto: Huffington Post)

Pontos de reflexão para a família:

  • Passe confiança à criança, deixando-a segura de que você vai voltar para buscá-la na escola. Assegura-a de que a ama e do quanto ela é importante para a família.
  • Fale sobre a escola e das coisas que ela irá fazer lá com entusiasmo, mas não crie ilusões dizendo que tudo será da forma como ela deseja. Explique que é um local coletivo e que haverá outras crianças com quem brincar e dividir a atenção.
  • Participe do processo de adaptação do seu filho, sem pressa de que ele acabe logo. Respeite as orientações da escola e busque compreender a estratégia dos professores para que ajam em conjunto.
  • Busque não se atrasar nem na hora da entrada e nem na hora de buscar a criança. Isso fortalece a confiança dela nos pais e diminui qualquer desconforto como a ansiedade.
  • Converse sobre como foi o dia da criança, pergunte e deixe-a falar em seu ritmo. Não responda por ela ou dê opções de resposta – pois, assim, não será um diálogo (por exemplo, ao invés de perguntar “Você comeu arroz? Carne? E batata?”, deixe em aberto: “O que você comeu na escola hoje?”).
  • Explique mudanças de rotina à criança honestamente, mesmo ela sendo pequena – mas, é claro, com uma linguagem adequada para cada faixa etária. As crianças percebem quando os pais mentem e isso costuma afetar a confiança e respeito que têm por eles.

Lembre-se sempre que as crianças, apesar de pequenas, merecem ser escutadas e acolhidas em suas necessidades como qualquer sujeito. Elas são indivíduos completos, com opiniões, preferências e emoções que não devem ser descartadas como menos importantes devido à idade. Estar em um  ambiente seguro irá possibilitar o desenvolvimento pleno de suas habilidades emocionais, sociais e cognitivas.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.